lendo virginia wolf
11 de dezembro de 2016
Uma das coisas que eu tenho feito nos últimos dias com muita frequência é ler. Os livros são minha melhor companhia, minha melhor forma de conexão comigo mesma, de descobertas íntimas e profundas sobre essa grande viagem chamada vida. Por isso comecei a ler Virginia. Como mulher, achei que seria interessante começar a ler mais outras mulheres. Porque ser mulher é algo que transcende o biológico, é toda uma construção cheia de marcas, muito diferentes entre todas nós ao tempo que muito semelhantes também. Não tenho nenhuma posição ideológica a respeito disso. Meu feminismo não é do tipo que hipervaloriza o feminino. Mas é uma escolha, por ora de auto conhecimento, que me faz querer estar próxima de almas que tocam a minha.

Porém é importante frisar que descobri, nesse processo, que a alma da Virginia não me toca tanto. Não descobri nela nada além de algumas semelhanças do feminino. Exceto isso, somos realmente muito diferentes. Me vejo mais em Maiakovsky do que nela, em termos de psiquismo. Mas essa descoberta passou por conhecer as suas palavras, por entender alguns de seus dilemas, algumas de suas escolhas. Virginia tem sido para mim o outro. Aquele estranho que não compreendo totalmente, mas estou tentando compreender em cada parte. É um rico aprendizado também, se conectar com o desconhecido, navegar nos mares daquilo que nos causa desconforto.

Por isso, por ora, continuo a ler Virginia. E descobrir nela tantas possibilidades. De como tudo pode ser diferente para outro olhar, para outro coração. E esse descentramento tem sido uma das experiências mais gostosas do meu dia, que eu gostaria de deixar registrado para nunca me esquecer, que nesses últimos dois meses, ela faz parte de todo o restante.

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